Nestes dias tenho me sentido assim, inutil. De que vale ao mundo uma fogueira que apenas arde, e até por vezes queima, mas não dá algo benefico em troca? Não aquece.
Não sou má pessoa, não sou de todo má pessoa, mas podia ser alguém melhor, deixar por vezes a monotonia de parte, arrumada numa gaveta dessarumada do meu quarto.
Queria ser de certa forma melhor filha, mostrar o orgulho nos pais que tenho, que por vezes, podiam tentar, só um pouquinho, ser melhores. Orgulho, pois, é isso que eu gostava que as pessoas sentissem quando olhassem para mim, quando falo de pessoas falo daquelas que me rodeiam daquelas que fazem parte do meu dia-a-dia e que partilham comigo o meu castelo da vida. Queria ser genial, compensando assim todo o esforço que as pessoas, essas que falei anteriormente, depositam a acreditar em mim, queria que se sentissem recompensadas... aliviadas até..
Gostava de ser exemplar, e gostava de ter tempo, tempo para as coisas mais simples que por vezes não reparo porque tenho os pensamentos a sobrevoar algures no tempo e no espaço, dou por mim a relembrar e a prever em vez de estar ali, naquele presente, naquele instante. Tempo para, por exemplo, cheirar uma flor, apreciar o quanto bonita e delicada é. Tempo para ver nascer o sol e aprecia-lo como em tempos de criança. À deriva, é como ando ultimamente. Não me encontro, e se me encontro, perco-me instantes depois. Sinto-me sozinha, no meio de centenas de rostos. Cada vez gosto menos das pessoas.. e cada vez mais vou pondo-as de parte, e fico assim, a baloiçar sozinha num baloiço de papel que teme a chuva.
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