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Do meu ego sem resposta

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.

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Há noites em que tudo nos faz feliz, em que sorrimos com alma e nos sentimos no topo do mundo. Mas há outras em que nem o calor de um café nos conforta o corpo. Há noites que só desejamos que o dia seguinte chegue e que seja uma página limpa onde poderemos rabiscar tudo do zero. Nem as palavras doces hoje me aquecem, sinto um vazio que não sei preencher, um vazio que me corta e magoa tão ingenuamente que me faz sentir incompleta, invisível. Talvez esteja a precisar de um abraço, de um carinho de tal grandeza que me faça suspirar e sentir existente, sentir-me viva, é isso que me faz falta hoje, sentir-me cheia de ti, sair do meu próprio corpo para puder entrar no teu e fazer dele o meu pedacinho de segurança, é de ti que preciso hoje. 
Tal como o café...forte doce e quente, tal deve ser o amor. Forte o suficiente para nos deixar com vontade de aguentar o dia, querer vive-lo e não apenas presencia-lo. Doce para causar alguns sorrisos, alegrias e adoçar o paladar aos que cedem a tentação do café, ou do amor. E quente para nos aquecer a alma e deixar a sensação de leveza dentro do nosso corpo, sentirmos o calor a percorrer cada cantinho nosso.
Não gosto de amores calmos, adoro navegar por mares turbulentos, desconhecidos e por vezes perigosos. Só esses me fazem sentir viva, e ao mesmo tempo morrer aos poucos, só esses me fazem o sangue ferver, o coração palpitar.


Já sentiste a falta de alguém de tal maneira que o teu coração apertava e doía ?  Ele chama por um nome e tu que por mais que digas que aguentas tudo isto, sentes cada facada que o teu coração te dá. Toda a saudade começa por uma escolha que fizemos, que por sua vez foi boa, se não o fosse não nos faria falta.. Mas sentir falta e sentir saudade, serão o mesmo ou criamos uma confusão enorme dentro dos nossos sentidos?
A palavra saudade, remete-me para algo doce embora instável, nostálgico mas suave e delicado. Faz-me recordar de momentos e pessoas. Faz-me sorrir e até que me faz bem. A questão só se torna realmente um "problema" quando percebo que sinto falta. Não sentimos falta de algo que temos, ao contrario da saudade que me lembra algo que sabemos que voltará.. daquilo que sentimos falta provavelmente já nos despedimos.  Sentir falta implica uma dor, um desconforto, muitos suspiros seguidos de mares de lágrimas. No meu caso, eu sinto saudades de tudo o que sinto falta.





Calma miúda, estás só a pagar pelas tuas falhas. Tudo tem um preço e este é o que tens que dar pela felicidade que viveste até aqui. Se fores calcular, chegas a conclusão que valeu a pena.
Chora, chora tudo o que houver para chorar. Não tenhas medo de converter  a dor e o pânico que sentes nesse corpo, em lágrimas. Fa-lo todos os dias se for necessário até que sintas que já expremeste todo o mal presente aí dentro. Mas não o faças à luz do dia, a madrugada é a tua melhor companhia, faz dela a tua conselheira e conta-lhe o que te atormenta, deixa que ela te ajude. Nada melhor que a reflexão para te consolar, deixa-te seduzir por ela, faz dela o abrigo que tanto anseias encontrar.
Ninguém precisa de saber que sofres, ninguém vai perceber o teu mundo colorido e saboroso com um recheio cinzento e amargo. Não te isoles, não deixes de gostar das pessoas mas aprende também a gostar de ti. Faz de ti a tua arma.
Não contes às pessoas o teu passado, aprende a não destruir o futuro com os problemas que trazes em cima dos ombros. Constroi tu a tua própria história real baseada nas coisas positivas do presente, deixa as coisas más para trás e começa a deixar algumas pessoas para trás também. Não lhes queiras o mal, principalmente se já foste feliz junto a elas, averigua para que não cometam os mesmos erros que tu outrora cometeste mas deixa-as livres, deixa que sejam elas a decidir se lhes fazes falta, caso contrário nunca se aperceberão do significado e do poder que a saudade pode ter em nós.
Não é uma boa sensação, essa de sentir saudade. Não vais gostar de sentir a frieza que te vai ser transmitida, mas não te esforçes para aquecer o coração de alguém, cabe a cada um faze-lo por si.
Não demonstrar não é sinonimo de não sentir. É cruel, habitua-te. 
Não há pior sentimento no mundo que sentirmos que estamos a ser afastados, não há nada mais sufocante do que o desconhecido. Sentir e ver que dali para diante nada será igual, não que não se queira, mas sim porque não faz mais sentido. A amizade perde-se. Perde-se apartir do momento em que se duvida da sua inocência e da sua realidade. Põem-se portanto em causa a sua existência. E o mais triste é quando ela existe mesmo, é pura, é verdadeira, mas morre. Morre e faz-me morrer quando se suspeita de algo que antes nos fazia tão bem. Põem-se tudo em cima da mesa, baralhas-me as cartas, e eu troco-te as voltas, é triste. É triste pois descobre-se que as palavras  inconscientes carregadas de uma doçura só entendida por nós não foram transmitidas da maneira certa, ou talvez tivessem sido demasiado precipitadas. Por vezes, acontece. As borboletas não passam de traças que nós deixam buraquinhos impossiveis de tapar. E o medo que trazes de me desiludir, desiludiu-me. Se me conhecesses, se te desses ao trabalho de ver nas minhas palavras não só momentos de loucura mas  tirasses também um pouco de algo que me definisse, saberias quais são as coisas às quais dou mais valor e daquelas que nunca abdicaria, e nessa lista, certamente, encontrarias o teu nome, a tua amizade e tudo aquilo que um dia nos poderia unir e até à pouco tempo foi unindo. Jamais trocaria a nossa ligação por outro sentimento. Querendo ou não, sentindo ou não, puseste-me ainda mais longe de ti. Encontro-me assim, distante, sem sentir e prestes a cair na realidade da rotina. 


Nestes dias tenho me sentido assim, inutil. De que vale ao mundo uma fogueira que apenas arde, e até por vezes queima, mas não dá algo benefico em troca? Não aquece.
Não sou má pessoa, não sou de todo má pessoa, mas podia ser alguém melhor, deixar por vezes a monotonia de parte, arrumada numa gaveta dessarumada do meu quarto. 
Queria ser de certa forma melhor filha, mostrar o orgulho nos pais que tenho, que por vezes, podiam tentar, só um pouquinho, ser melhores. Orgulho, pois, é isso que eu gostava que as pessoas sentissem quando olhassem para mim, quando falo de pessoas falo daquelas que me rodeiam daquelas que fazem parte do meu dia-a-dia e que partilham comigo o meu castelo da vida. Queria ser genial, compensando assim todo o esforço que as pessoas, essas que falei anteriormente, depositam a acreditar em mim, queria que se sentissem recompensadas... aliviadas até..
Gostava de ser exemplar, e gostava de ter tempo, tempo para as coisas mais simples que por vezes não reparo porque tenho os pensamentos a sobrevoar algures no tempo e no espaço, dou por mim a relembrar e a prever em vez de estar ali, naquele presente, naquele instante. Tempo para, por exemplo, cheirar uma flor, apreciar o quanto bonita e delicada é. Tempo para ver nascer o sol e aprecia-lo como em tempos de criança.  À deriva, é como ando ultimamente. Não me encontro, e se me encontro, perco-me instantes depois. Sinto-me sozinha, no meio de centenas de rostos. Cada vez gosto menos das pessoas.. e cada vez mais vou pondo-as de parte, e fico assim, a baloiçar sozinha num baloiço de papel que teme a chuva. 
Será que somos realmente capazes de sentir algo ainda depois de tanta ferida? algumas em fase de cicatrizacão.
Sinto que cada dia dói menos. Sinto que a nova presença na minha vida fez-me um bem incalculável e impossível de retribuir. Tornei-me de sorriso fácil e estaria a mentir se dissesse que não há algo que vira do avesso dentro de mim por tua culpa ! Tu confundes-me, irritas-me e encantas-me.
E muito sinceramente eu queria ter em mim aquilo que tu procuras em alguém, a parte que falta e te completa. Queria ser a pessoa que sonhas em conhecer. Mas eu não sou essa pessoa. E ao virar da esquina alguém melhor que eu te espera.. Porque tu.. És apenas diferente.
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